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Como lidar com o luto em meio à pandemia no ambiente corporativo?

As taxas de mortalidade causadas pelo novo coronavírus continuam a assustar pessoas do mundo inteiro. Como essa questão tem se refletido nas empresas e como as pessoas que estão nelas têm lidado com isso?

O luto é característico do ser humano. A reação de pesar quando se descobre que uma pessoa que fez ou faz parte da sua vida se foi tem muito a ver com o nosso processo evolutivo e com o fato de sermos animais sociais.

No entanto, a morte e suas consequências não são assuntos tratados com frequência por nós, talvez justamente pelo fato de serem temas dos quais tendemos a fugir. No ambiente corporativo, o tabu tende a ser ainda maior.

Então, como podemos falar sobre morte em um lugar onde há uma expressão tão grande de poder? Como as empresas estão tratando o tópico?

As consequências de ignorar a questão Infelizmente, muitas companhias simplesmente não estão falando sobre isso, ou pelo menos, não o suficiente. Em diversas grandes organizações, o trabalho segue a todo vapor. Os locais que oferecem serviços considerados essenciais não dispensaram funcionários, levando a mortes que poderiam ter sido evitadas, como foi o caso de Vanessa Pereira, colaboradora de uma multinacional de call center que não suspendeu as atividades ou ofereceu condições mais seguras aos trabalhadores. Vanessa pertencia ao grupo de risco, mas continuava trabalhando normalmente. E, além da possibilidade de falecimento de um colaborador, há também aqueles que perderam pessoas que lhes eram queridas devido à pandemia. Como já foi mencionado, o luto é um processo inerente ao ser humano. Embora tenha sido reforçada durante muito tempo, a regra de deixar os problemas pessoais fora da empresa pode acabar levando a danos ainda maiores.

Esse hábito tende a ser associado com um maior aparecimento de doenças psicossomáticas, que podem levar a tensões musculares, dores de cabeça, problemas gastrointestinais, entre outros.

É preciso ser empático

Mostrar a um colega de trabalho enlutado que os sentimentos dele importam pode fazer toda a diferença. Tanto líderes quanto outros colaboradores podem participar disso. E a liberação da pessoa afetada não é apenas importante para o bem estar dela, é também prevista por lei. É a chamada licença nojo (palavra portuguesa cujo significado é “grande tristeza”), que, de acordo com determinadas circunstâncias, dá ao trabalhador dois dias consecutivos ao falecimento de seu ente querido de ausência legal.

É necessário saber se aquele colaborador irá se sentir motivado a continuar em determinados projetos, se terá condições de continuar trabalhando normalmente e se precisará de certo tempo para se curar da perda. É claro, a pressão exacerbada no ambiente de trabalho já costuma ser danosa, mas para um indivíduo fragilizado pela dor da perda, suas consequências podem ser ainda mais difíceis de se suportar.

Segundo o psicólogo Bernardo Leite, psicólogo especializado em Comportamento Organizacional, outras atitudes também podem ser de grande ajuda. Rodas de conversa abordando o tema, desde que sejam realizadas com bastante planejamento prévio, podem ajudar a desmistificar o tema, tornando a equipe mais preparada para lidar com situações de morte, tanto de colaboradores quanto de seus familiares e amigos.

E, é claro, sempre faz toda a diferença mostrar que você se importa com aquele colega de trabalho que recentemente perdeu alguém com quem se importava. Afinal, tão inerente ao ser humano quanto a capacidade de sentir pesar por aqueles que nos deixaram é nosso hábito de apoiar quem é próximo de nós, principalmente nos momentos difíceis - quando eles mais precisam se sentir acolhidos.

Quer saber mais sobre como a pandemia afetou e continua afetando empresas? Leia mais aqui!

Texto escrito por Marina Resende, trainee, e revisado por Luísa Raad

Produtora de conteúdo da RH Jr.

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